O maior de sua geração


20 anos de carreira. Cinco títulos de World Series. 14 aparições no All-Star Game. Cinco Golden Gloves. Cinco Silver Sluggers. Durante os próximos dias, esses e muitos outros números serão destacados repetidamente pela imprensa americana na cobertura da aposentadoria de Derek Jeter. Nada mais justo.

Entretanto, estamos aqui para explorar um outro lado da carreira de Jeter…

Quando se fala em futebol, logo surgem nomes como Messi e Cristiano Ronaldo, considerados os grandes jogadores da atualidade. No tênis, Federer e Nadal, tidos como gênios. No golfe, apesar das polêmicas, Tiger Woods. Phelps na natação, Bolt no atletismo.

Da mesma forma, o Capitão tem sido uma referência no beisebol por mais de uma década. Ele é o ícone, o símbolo da liga. E aí está um fato raro: ao contrário dos outros nomes citados, ele foi capaz de ser o maior de sua geração sem ser o melhor de sua geração. Mas como conseguir tal feito? Vamos às peças do quebra-cabeça:


JOGAR NA MAIOR FRANQUIA DO BEISEBOL
Vestir a camisa dos Yankees atrai holofotes. Jogar na equipe mais vencedora da história dos esportes americanos chama a atenção. Soma-se a isso o fato de Nova Iorque ser uma das cidades mais midiáticas do mundo, o que contribui bastante para o caso.


JOGAR NUM ÚNICO TIME
É cada vez mais raro ver um jogador permanecer a carreira inteira no mesmo time. Até algum tempo atrás, todos tinham certeza que símbolos da franquia como Pujols e Ichiro permaneceriam em suas equipes até se aposentarem, e não foi o que aconteceu. Jeter jamais vestiu um uniforme diferente e isso, na mente do público, contribui para a boa imagem de um jogador.


CONQUISTAR TÍTULOS
Ganhar um título é (ou deveria ser) o objetivo de todo atleta. Jeter ganhou X títulos na carreira. Isso por si só já faria ele se destacar de muitos outros jogadores.


NÚMEROS EXCELENTES NA PÓS-TEMPORADA
Existe o senso comum de que nada adianta jogar como um MVP durante a temporada inteira e amarelar nos playoffs. Jeter tem os seguintes números na pós temporada: 158 jogadores, 200 rebatidas (32 duplas, 5 triplas, 20 home runs), 18 bases roubadas, .308 AVG, .374 OBP, .465 SLG. Nada mais a declarar.


SER LÍDER
Ninguém ganha o apelido de Capitão à toa. Jeter começou sua carreira na MLB como um ponto de interrogação e logo deixou evidente sua capacidade de chamar a responsabilidade. Ainda, o fato de dar 100% em campo sempre influenciou para que fosse visto como exemplo para os mais jovens.


DURABILIDADE
Ao longo dos 20 anos em que esteve na MLB, em apenas quatro temporadas participou de menos de 145 jogos. A primeira, em 1995, marcou sua estreia na liga e esteve em apenas 15 partidas. Nas outras três, lesões impediram que atuasse em mais ocasiões. Ainda assim, acumulou 16 anos de presença constante na lineup dos Yankees.


A IMAGEM DO JOGADOR COMPLETO
Jeter tem as estatísticas que todo fã casual aprecia: alto average, muitas rebatidas, corridas anotadas e ainda a capacidade de bater um número razoável de home runs. As bases roubadas também contribuem para essa visão. E, por fim, a imagem de bom defensor, fator questionável já que ele nunca teve um bom range para um shortstop, mas ainda assim recebeu cinco Golden Gloves.


A VIDA FORA DOS CAMPOS
Esse pode parecer o ponto menos importante da análise, mas faz total sentido incluí-lo. Jeter nunca chamou atenção ou deu espaço para a mídia explorar sua vida pessoal. Nunca saiu nos noticiários por estar bêbado em uma festa ou envolvido com drogas. Jamais foi conectado a esteróides. Nunca teve problemas com a justiça. Seu único crime foi namorar uma extensa lista de belas mulheres, e talvez esse fosse um delito cometido por todos os homens em seu lugar.


São muitos fatores que fazem Derek Jeter ser considerado o embaixador americano do beisebol. E talvez seja o último de sua geração a ser tão aclamado por isso. Sua contribuição foi muito mais importante para a imagem geral do esporte do que para seu próprio time. E isso merece ser apreciado.

Vida longa ao Capitão!

Autor do post

Blog do Beisebol (Guilherme Shiniti)


1 Comentário

  • Grande jeter!
    Tive o privilégio de vê-lo jogar em sua ultima temporada. Calmo mas nunca fugindo da responsabilidade.
    Com certeza um dos maiores shortstops que eu ví.
    Mesmo sem o prêmio de MVP conseguiu se tornar o símbolo de uma geração.
    Muito bem falado: “ele foi capaz de ser o maior de sua geração mesmo sem ter sido o melhor de sua geração”.
    Camisa 2 dos yankees será aposentada com toda a razão.

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